| Adaptador OBD-II ELM327 |
Há algum tempo, tenho visto nos
fóruns de carros tópicos falando de scanners automobilísticos
acessíveis. Sempre gostei de injeção eletrônica, desde meu primeiro
carro injetado, um Monza, em 1996.
Porém, aqui no Brasil,
injeção eletrônica sempre foi rodeada de mistérios, principalmente pela
relutância dos fabricantes em liberar informações sobre ela. Uma vez
caiu na minha mão uma cópia de um manual "sigiloso" editado pela GM para
as concessionárias com instruções de como reparar o sistema de injeção
Multec 700, a injeção EFI monoponto dos Monza/Kadett de 1991 a 1996.
Sim, manual de reparo de injeção era sigiloso!!! Como eu tinha um Monza
1993, devorei aquele manual e passei a entender muito de como funcionava
a injeção do meu carro, algumas vezes até surpreendendo mecânicos que
não tinham aquele conhecimento e se espantavam com o quanto eu conhecia
sobre a injeção do Monza.
A injeção Multec 700 foi o primeiro sistema de controle de alimentação e ignição totalmente digital em um carro nacional. Antes dele, apenas havia a Bosch LE-Jetronic, que equipava o pioneiro Gol GTi, Santana Executivo e Monza Classic MPFI e era uma injeção que, apesar de também ser eletrônica, era analógica.
A injeção eletrônica digital (que foi uma das primeiras formas de eletrônica digital embarcada) traz um avanço muito grande: o controle da quantidade de combustível (e também do tempo de ignição) é efetuado por um microprocessador que roda um software (programa), sendo que este, com base na leitura de vários sensores, calcula a quantidade de combustível a ser injetada. Pois este mesmo software pode também ter um protocolo de comunicação que envia digitalmente para um computador todos parâmetros de leitura dos sensores e, por ter uma memória (como um computador), pode armazenar os códigos de defeito detectados durante o funcionamento.
Este computador que se
conecta à injeção foi logo chamado de scanner. Aqui no Brasil os
primeiros scanners automobilísticos eram caríssimos e foram
desenvolvidos na base da engenharia reversa e da comparação com
protocolos já documentados no exterior, graças ao "sigilo" imposto por
nossos fabricantes. A idéia deste sigilo é não deixar que o mercado de
reparação (mecânicos) saiba diagnosticar corretamente um veículo com
injeção eletrônica e assim obrigar o proprietário do automóvel a
procurar necessariamente uma concessionária para ter seu carro reparado.
Um claro objetivo de criar uma reserva de mercado, portanto.
Nos EUA e na Europa esta briga
também existiu, só que com alguns anos de antecedência, pois lá as
injeções eletrônicas chegaram primeiro. O reparador independente tinha
que ter um scanner para Ford, um scanner para GM, um scanner para VW
etc. Como scanners eram muito caros, isso inviabilizava os reparadores
multimarcas. Para acabar com esta reserva de mercado das concessionárias
e tornar a manutenção mais econômica para o consumidor através da
concorrência, foi desenvolvido um padrão chamado OBD (On Board
Diagnostics, "diagnóstico embarcado"). Este padrão logo foi evoluído
para o OBD-II.
O padrão OBD-II é uma padronização
de protocolo dos principais componentes da injeção eletrônica, de forma
que um único scanner servisse para qualquer veículo. Ele padroniza
também a tomada de diagnóstico, que no início também variava de
fabricante para fabricante. Todos os carros vendidos nos EUA a partir de
1996 devem obrigatoriamente ter uma tomada de diagnóstico que obedeça
ao padrão OBD-II. Na Europa, todos os carros a gasolina a partir de 2001
e os a diesel a partir de 2004 devem obedecer à versão européia, a
E-OBD, muito parecida com a americana OBD-II.
Aqui
na terra brasilis, o OBD tornou-se obrigatório apenas neste ano de
2011, através da resolução do CONAMA 354/2004, mas como vários carros
brasileiros têm injeções importadas e/ou são exportados para outros
países, muitos deles já seguiam padrão OBD mesmo antes disso.
Mas infelizmente nossos legisladores ainda não se mexeram para obrigar os fabricantes a disponibilizar os manuais para o mercado de reparação independente, como acontece nos EUA. Lá, manual de reparação do fabricante é público, aqui, é até considerado como material sigiloso.
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| Aplicativo Torque para Android |
Já que alguns carros nacionais já
seguem o padrão OBD-II, é aí entra o meu novo brinquedinho: Uma
interface OBD-II que se comunica por Bluetooth com um celular Android
(também pode ser com um computador) rodando um programinha de
diagnóstico chamado Torque. Este adaptador custou a fortuna de US$ 25
num conhecido site chinês de "gadgets", já entregue em casa e com o
frete incluído.
Comprando o programa Torque
no Android Market (ao custo de US$ 5), tenho um interessante scanner
automobilístico, que, além de diagnósticos, também faz coisas
interessantemente entusiásticas, como medir o 0 a 100 km/h, 0 a 60 mph,
tempo para percorrer 1/4 de milha etc. E uma ferramenta destas custa ao
todo US$ 30, o que equivale hoje a aproximadamente 50 reais. Um scanner
automobilístico por 50 reais!
Como eu já disse, o Torque a não é
o único aplicativo , existem vários outros que rodam em computador,
como o ScanMaster-ELM. Um notebook com Bluetooth e o programa de scanner
é o suficiente para você ter acesso às informações disponibilizadas no
protocolo OBD-II.
Quando será que nossos queridos legisladores irão obrigar os fabricantes a disponibilizar para os mecânicos independentes a documentação técnica necessária para a correta manutenção dos veículos que fabricam? Pois isso sim seria terem compromisso com o povo que os elegeu, que quer ter acesso a uma manutenção mais adequada e mais barata fora da concessionária.
CMF
Editado em 12/08/2011 às 09:05. Motivo: Inclusão da informação sobre a resolução do CONAMA que obriga o OBD-II a partir de janeiro de 2011.



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