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sexta-feira, 14 de março de 2014

OBD2

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Adaptador OBD-II ELM327

Há algum tempo, tenho visto nos fóruns de carros tópicos falando de scanners automobilísticos acessíveis. Sempre gostei de injeção eletrônica, desde meu primeiro carro injetado, um Monza, em 1996.
Porém, aqui no Brasil, injeção eletrônica sempre foi rodeada de mistérios, principalmente pela relutância dos fabricantes em liberar informações sobre ela. Uma vez caiu na minha mão uma cópia de um manual "sigiloso" editado pela GM para as concessionárias com instruções de como reparar o sistema de injeção Multec 700, a injeção EFI monoponto dos Monza/Kadett de 1991 a 1996. Sim, manual de reparo de injeção era sigiloso!!! Como eu tinha um Monza 1993, devorei aquele manual e passei a entender muito de como funcionava a injeção do meu carro, algumas vezes até surpreendendo mecânicos que não tinham aquele conhecimento e se espantavam com o quanto eu conhecia sobre a injeção do Monza.

A injeção Multec 700 foi o primeiro sistema de controle de alimentação e ignição totalmente digital em um carro nacional. Antes dele, apenas havia a Bosch LE-Jetronic, que equipava o pioneiro Gol GTi, Santana Executivo e Monza Classic MPFI e era uma injeção que, apesar de também ser eletrônica, era analógica.





Monza EFI, o primeiro com injeção digital
A injeção eletrônica digital (que foi uma das primeiras formas de eletrônica digital embarcada) traz um avanço muito grande: o controle da quantidade de combustível (e também do tempo de ignição) é efetuado por um microprocessador que roda um software (programa), sendo que este, com base na leitura de vários sensores, calcula a quantidade de combustível a ser injetada. Pois este mesmo software pode também ter um protocolo de comunicação que envia digitalmente para um computador todos parâmetros de leitura dos sensores e, por ter uma memória (como um computador), pode armazenar os códigos de defeito detectados durante o funcionamento.
Este computador que se conecta à injeção foi logo chamado de scanner. Aqui no Brasil os primeiros scanners automobilísticos eram caríssimos e foram desenvolvidos na base da engenharia reversa e da comparação com protocolos já documentados no exterior, graças ao "sigilo" imposto por nossos fabricantes. A idéia deste sigilo é não deixar que o mercado de reparação (mecânicos) saiba diagnosticar corretamente um veículo com injeção eletrônica e assim obrigar o proprietário do automóvel a procurar necessariamente uma concessionária para ter seu carro reparado. Um claro objetivo de criar uma reserva de mercado, portanto.

Nos EUA e na Europa esta briga também existiu, só que com alguns anos de antecedência, pois lá as injeções eletrônicas chegaram primeiro. O reparador independente tinha que ter um scanner para Ford, um scanner para GM, um scanner para VW etc. Como scanners eram muito caros, isso inviabilizava os reparadores multimarcas. Para acabar com esta reserva de mercado das concessionárias e tornar a manutenção mais econômica para o consumidor através da concorrência, foi desenvolvido um padrão chamado OBD (On Board Diagnostics, "diagnóstico embarcado"). Este padrão logo foi evoluído para o OBD-II.

O padrão OBD-II é uma padronização de protocolo dos principais componentes da injeção eletrônica, de forma que um único scanner servisse para qualquer veículo. Ele padroniza também a tomada de diagnóstico, que no início também variava de fabricante para fabricante. Todos os carros vendidos nos EUA a partir de 1996 devem obrigatoriamente ter uma tomada de diagnóstico que obedeça ao padrão OBD-II. Na Europa, todos os carros a gasolina a partir de 2001 e os a diesel a partir de 2004 devem obedecer à versão européia, a E-OBD, muito parecida com a americana OBD-II.






Conector OBD-II

Aqui na terra brasilis, o OBD tornou-se obrigatório apenas neste ano de 2011, através da resolução do CONAMA 354/2004, mas como vários carros brasileiros têm injeções importadas e/ou são exportados para outros países, muitos deles já seguiam padrão OBD mesmo antes disso.

Mas infelizmente nossos legisladores ainda não se mexeram para obrigar os fabricantes a disponibilizar os manuais para o mercado de reparação independente, como acontece nos EUA. Lá, manual de reparação do fabricante é público, aqui, é até considerado como material sigiloso.





Aplicativo Torque para Android

Já que alguns carros nacionais já seguem o padrão OBD-II, é aí entra o meu novo brinquedinho: Uma interface OBD-II que se comunica por Bluetooth com um celular Android (também pode ser com um computador) rodando um programinha de diagnóstico chamado Torque. Este adaptador custou a fortuna de US$ 25 num conhecido site chinês de "gadgets", já entregue em casa e com o frete incluído.
Comprando o programa Torque no Android Market (ao custo de US$ 5), tenho um interessante scanner automobilístico, que, além de diagnósticos, também faz coisas interessantemente entusiásticas, como medir o 0 a 100 km/h, 0 a 60 mph, tempo para percorrer 1/4 de milha etc. E uma ferramenta destas custa ao todo US$ 30, o que equivale hoje a aproximadamente 50 reais. Um scanner automobilístico por 50 reais!

Como eu já disse, o Torque a não é o único aplicativo , existem vários outros que rodam em computador, como o ScanMaster-ELM. Um notebook com Bluetooth e o programa de scanner é o suficiente para você ter acesso às informações disponibilizadas no protocolo OBD-II.
Durante anos eu babava nos scanners dos mecânicos, sempre pensando que seriam muito caros para que eu tivesse um em casa. Pois hoje eles são baratos. Existem inclusive scanners de mão à venda na internet por preços bem convidativos, graças à padronização do OBD-II, em que apenas um scanner serve para o diagnóstico de qualquer carro. A coisa é tão padrão que o nome "ELM327" é na verdade o código do chip principal desta adaptador que comprei. Estão produzindo chips OBD-II em massa, coisa que certamente não ocorreria se não houvesse um protocolo padronizado e cada fabricante decidisse usar o seu: Os scanners continuariam caros e cada mecânico teria que ter scanners para as várias marcas de carros. A padronização OBD-II foi uma bênção para todos.

Quando será que nossos queridos legisladores irão obrigar os fabricantes a disponibilizar para os mecânicos independentes a documentação técnica necessária para a correta manutenção dos veículos que fabricam? Pois isso sim seria terem compromisso com o povo que os elegeu, que quer ter acesso a uma manutenção mais adequada e mais barata fora da concessionária.

CMF

Editado em 12/08/2011 às 09:05. Motivo: Inclusão da informação sobre a resolução do CONAMA que obriga o OBD-II a partir de janeiro de 2011.
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1 comentários:

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